HISTÓRIA DE GLÓRIA-BA

GLÓRIA VELHA – ANTIGA CURRAL DOS BOIS

A margem do lago formado pelas águas sedimentares da Barragem do Moxotó, nove quilômetros a montante da cidade de Paulo Afonso na Bahia, situa-se Nova Glória, cidade implantada pela Chesf para substituir a cidade de Glória, hoje comumente chamada de Glória Velha, antiga Curral dos Bois.

 

A Nova Glória, não atendeu as aspirações do povo que testemunhou outras épocas e que viveu outros costumes. Nem poderia atender, construída que fora nos moldes usuais das vilas operarias, consideradas os valores éticos, sociológicos, políticos e culturais do povo que viveu e construiu a Glória Velha, as duras penas do desdobrar lento do tempo.

A nova cidade é fruto de uma imaginação apressada já pela existência de réguas, compassos e cavalete, pressionados pela voracidade dos prazos fatais de conclusão de obras, como pela falta de inspiração maior que tivesse tido por intenção ao amor a terra e a sua gente.

No inicio a nova cidade não concentrava, ao contrario dispersava a pequena população, distanciando pessoas umas das outras, plantadas que está num sitio amplo e descampado, sem arvores e sem sombra, apesar de rente as águas da barragem aonde sopra a aragem amena dos alísios.

Não existe gente andando pelas ruas, estas são desertas como o Raso da Catarina, habitat das ultimas espécies de animais em extinção por onde Lampião palmilhou seguido por cangaceiros seus comandados. Não existe alma nas ruas que vibre, que grite, que cante, e que chore. Falta a alegria e o reboliço esvoaçante de mocidade reunida, sadia e feliz. È uma cidade parada e triste. Parte da população da Glória Velha, inconformada com a escolha do seu local, rebelou-se e por própria e espontânea vontade, sem qualquer ajuda formou a Vila de Quixaba, que floresce a mercê das circunstancias.

A Glória Velha, entretanto, marca um período da civilização colonial do Brasil, o dos currais, passagem obrigatória que era das boiadas que desmandavam para os sertões do Norte. Foi cognominada de Curral dos Bois depois de ter sido jacosamnete chamada de Porto dos Cachorros.

Foi Sede de Comarca e posto avançado das tropas regulares de combate ao banditismo do nordeste. Teve Coronéis e viveu renhidas lutas políticas, sobressaindo que dividiam os adeptos do Cel. Petro, avô do escritor Raimundo Reis e os da Família Padre, representado pelo Professor Adelino, pais do Brigadeiro Afonso Ferreira e Afonsinho de D. Mariinha.

Sua feira semanal era bastante concorrida, atraindo ruralista dos seus vastos limites territorial e até do vizinho Estado de Pernambuco, por onde corria resfolegando de cansaço, o Maria fumaça que por sobre trilhos ligava Piranhas a Jatobá.

Suas ruas se esvaziavam nas noites de Trezena de Santo Antônio, para encher de gente a praça da matriz embandeirada.  O zabumbeiro e os pífanos enchiam de som o ar contaminado de vozes gritando e dentro deste contesto barracas e roletas. Fogos e rojões subiam aos céus e as quermesses faziam algazarra esfuziante da cidade em festa. O povo se regozijava na mais pacifica e singular confraternização sem conflitos e sem escaramuças.

 Padre Emilio (Padre Santo), erguia a voz enchendo a nave de bela construção barroca, blaterando contra os pescadores que iam povoar os infernos.

O coro liderado por Ceci e Iaiá de Aristeia, arrastavam toda massa compacta de fieis que se curvavam humildemente na hora da benção, entoando os louvores ao grande Taumaturgo de Pádua. Os penitentes se constituíam, respeitando o sincretismo da formula usada em belos espetáculos de fé, plenamente ativo em todo o período quaresmal. As quartas e sextas feiras de cinzas, percorriam distancias visitando cruzes, cemitérios e capelas vestidos de indumentária própria para o exercício da oração, cantada em longas e quase indecifráveis ladainhas.

Glória Velha de tantos personagens de romance: Maninho de Mendes no Cartório Eleitoral, Tergino balançando o sinete nas portas das audiências no Fórum, João Casimiro conduzindo as malas do correio, Ceguinho declamando versos em francês, João Filipa no fole de ferreiro, Heron de Carvalho, Eduardo Campos e Lalá de Silon vendendo tecidos.

Glória Velha, cidade inesquecível sepultada sob peso de milhões de metros cúbicos de água. Lá ficaram submersos os tamarindeiros de grandes copas bem conformadas, constratando com os chalés e casarões. Sobretudo as demais, a casa nova de Euclides Oliveira quase um palacete, cercado de amplos jardins e a de Letícia Campos que guardava na sala de visitas uma pintura de um francês de nome ignorado.

Glória Velha, terra generosa e boa, manteve os braços permanentemente abertos, forma simples de hospitalidade de sua gente, para receber e distribuir simpatias.

Glória Velha não morreu e não morrerá, porque renasce permanentemente na pujança de Paulo Afonso, luzeiro do nordeste, nos sonhos de Macururé e na luta tenaz de Rodelas que lhe herdou a sorte, fadada que está a desaparecer nas águas da Barragem de Itaparica.

Tínhamos também na Velha Glória, jovens muito animados que faziam serenatas na calçada da Igreja e os seresteiros eram: Lino, Antônio Pedro, Armando, Joaquim Camilo, Miguel arcanjo (Violinista) e outros. As danças mais usadas eram a Valsa, Tango, Xote, Polca e a Quadrilha.

“Este texto foi retirado de um trabalho escolar da 1º Feira dos Municipios – ano 1997, onde agradece a Elisângela Alves Silva (pesquisa); conclusão e elaboração de Pedro Reis Neto.”

E a Administração do site agradeçe a Sra. Maria Carvalho Mendes pelo material.”

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